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“A tecnologia é uma realidade. É preciso investir no preparo dos árbitros”

A falta de profissionalização está entre as principais explicações para tanto erro na arbitragem

24/02/2021 10h55 Atualizada há 2 meses
Por: Renato Ilha Fonte: Renato Ilha
Elio Hoppe atuou como árbitro de futebol profissional entre os anos de 1978 e 1994
Elio Hoppe atuou como árbitro de futebol profissional entre os anos de 1978 e 1994

Implantado oficialmente pela Federação Internacional de Futebol (Fifa) na Copa da Rússia, em 2018, o sistema eletrônico de apoio à arbitragem conhecido pela sigla em inglês VAR (Video Assistant Referee) tem por objetivo ajudar o árbitro central, no campo de jogo, a tomar decisão em lances considerados duvidosos.

No entanto, a presença dessa ferramenta de apoio tem levado os árbitros de campo a não assumir decisões pontuais e transferir a responsabilidade para a cabine do VAR, cuja função é assessória. Quando o VAR recomenda uma revisão, o árbitro de campo acaba sugestionado a mudar sua decisão.

Elio Hoppe, que atuou como árbitro de futebol profissional entre os anos de 1978 e 1994, pela Federação Gaúcha de Futebol (FGF), vê prejudicado o funcionamento do VAR. Sem a uniformização na observância das normas, têm ocorrido decisões diferentes em lances iguais.

O problema não está na existência do VAR, mas nos operadores da ferramenta, a começar pelos apitadores, que são amadores, seguindo pela Comissão de Arbitragem e a própria Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que organiza a modalidade no país. Portanto, as decisões polêmicas e a confusão que resultam dos erros de arbitragem não podem ser atribuídos exclusivamente ao VAR. O árbitro de vídeo, popularizado como VAR, alterou a dinâmica do jogo, sem trazer mais justiça às decisões dentro de campo.

ESCASSEZ DE ÁRBITROS DIFERENCIADOS

Formado pelo Sindicato dos Árbitros de Futebol do Rio Grande do Sul (Safergs), Elio Hoppe destaca que, na época em que atuou profissionalmente, os sindicatos eram independentes e prestavam serviços na área de treinamento teórico e físico, com base em avaliações frequentes. Diferente do que ocorre na atualidade, marcada pelo escasso surgimento de árbitros diferenciados e pela crescente reclamação de dirigentes de clubes, de torcedores e da imprensa, que criticam as atuações da arbitragem.

“Embora mal treinados, os árbitros são humanos e estão sujeitos a erros, como em qualquer atividade”, mas a falta de profissionalização está entre as principais explicações para tanto erro na arbitragem, que tem como marca atuações varzeanas e vexatórias”, analisa o ex-árbitro.   

Ao discutir a utilização do VAR no futebol brasileiro, o comportamento do árbitro está no centro das atenções. Se antes o auxiliar tinha a responsabilidade de marcar os impedimentos durante o jogo, hoje ele conta com a ajuda praticamente infalível do vídeo. As decisões do árbitro de campo, que eram praticamente inquestionáveis, hoje são compartilhadas com um colega que assiste ao mesmo jogo em uma cabine e pode opinar, alertar e reinterpretar os acontecimentos em campo.

PADRONIZAR A APLICAÇÃO DAS REGRAS

Embora o VAR já faça parte da nossa realidade, será preciso investir no preparo e instrução dos árbitros", opina o ex-árbitro, para quem a padronização na aplicação das regras é essencial. “Não adianta reclamar do VAR se há interpretações diferentes para lances iguais”, observa Hoppe.  

No entendimento do ex-árbitro, as polêmicas e a confusão geradas durante as partidas resultam de erros da arbitragem e não aplicação da tecnologia. Hoppe vê uma omissão constante da arbitragem em lances corriqueiros, como simulação e indisciplina, cuja decisão, via de regra, é transferida para o sistema eletrônico, que acaba apitando o jogo.

A profissionalização dos árbitros requer dedicação exclusiva à função e uma preparação permanente no campo teórico e físico, a cargo dos sindicatos de classe, que deveriam ser independentes. “Não haverá uma arbitragem de qualidade caso o árbitro seja obrigado a atuar em outra atividade, como acontece atualmente”, afirma Elio Hoppe.   

Renato Ilha, jornalista (Fenaj 10.300); 

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