Terça, 18 de Janeiro de 2022
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Cultura ARTE URBANA

Inaugurada obra de arte gigante com imagem de mulher negra, em Porto Alegre

A imagem serve de inspiração para o cuidado com as pessoas, a defesa da natureza e a igualdade racial

12/01/2022 11h42
Por: Renato Ilha Fonte: CUT-RS
Obra ocupa espaço com 65 metros de altura por 15 metros de largura
Obra ocupa espaço com 65 metros de altura por 15 metros de largura

Em ato realizado em 10/01, durante o pôr do sol, ocorreu a inauguração de obra de arte gigante, com 65 metros de altura por 15 metros de largura, com a imagem pintada em grafite de uma mulher negra com as mãos abertas em meio a uma planta nativa, na parede lateral do prédio do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (DAER-RS) e da Procuradoria-Geral do Estado do Rio Grande do Sul (PGE-RS), em Porto Alegre. A pintura será vista diariamente por milhares de porto-alegrenses que trafegarem pela redondeza do prédio e já pode ser considerada um novo e belo cartão postal da capital gaúcha.

A pintura foi idealizada pela suíça Mona Caron com o apoio do paulistano Mauro Neri. O ato foi realizado na Ponte de Pedra, seguido de um cortejo festivo, nas imediações do Viaduto dos Açorianos, com música e batucada. Estiveram presentes representantes do poder público, entidades sindicais, empresas e instituições parceiras, como a CUT-RS.

SÍMBOLO DE LUTA

O presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci, destacou a importância da parceria, salientando que a iniciativa passa a representar um símbolo de luta para a cidade. “Além da beleza, essa obra de arte traz a imagem de uma negra, de uma mulher, e de planta que significa resistência, como resistência da cidade ao concreto. Essa resistência se dá em todos os ambientes”, ressaltou.

Para ele, o mural oferece também “uma mensagem da luta, de combate ao racismo, à violência contra a mulher e às desigualdades, de luta por uma humanidade que respeite os direitos da mulher, da mulher negra”.

“Essa expressão cultural, que a gente apresenta para a cidade de Porto Alegre, tem no bojo essa proposta de resistência e de esperança, por um mundo melhor, por um mundo de respeito à diversidade”, enfatizou Amarildo.

MÃE BIA, A MODELO

Beatriz Gonçalves Pereira, a Mãe Bia, morada da Ilha da Pintada e mulher negra que serviu de modelo para o desenho, estava emocionada com o simbolismo da pintura. “Estou em êxtase. Muito importante para pretos e pretas, negros e negras da Capital. Isso quer dizer que a luta dos que me antecederam não foi em vão”, observou.

“O que dizer dos artistas? Eles nos desacomodam e nos fazem refletir. Porto Alegre precisava acordar um pouco mais. Estamos muito aquém do que pretos e pretas querem aqui e no país. Cada passo que pudermos dar é um ganho, para que se olhe e se lembre que precisamos de políticas públicas e precisamos avançar”, defendeu Mãe Bia.

ESFORÇO DA COMUNIDADE

A realização da obra movimentou cerca de 50 artistas de Porto Alegre. Eles passaram por cursos profissionalizantes para executar a pintura. Mona Caron agradeceu e se emocionou. “Uma obra que foi criada graças ao apoio de mais de 140 pequenas entidades. É realmente o esforço da comunidade.

“Também nos ajudaram muitos artistas locais incríveis. Foi uma honra trabalhar com os grafiteiros locais que nos apoiaram. Foi incrível o processo de achar a modelo perfeita para representar essa personagem que representa uma coletividade inteira, toda mulher negra, toda mulher em geral. E ainda representa o ponto de encontro entre a pessoa e a natureza”, explicou a suíça.

A planta nativa é a Justicia Gendarussa, conhecida como quebra-tudo, abre-caminho e vence-tudo, muito usada nas religiões de matriz africana. Mudas foram distribuídas para os participantes.

Mauro Neri, que também executou a pintura, enfatizou o caráter democrático da arte. “Está acessível para todo mundo ver. Foi um desafio enorme. Faz muitos anos que estamos elaborando isso. É o papel do artista trazer reflexão e vislumbrar uma verdade. E sobretudo justiça. Todo o conceito do trabalho está ligado à questão da igualdade e da justiça”, frisou.

RESISTÊNCIA AO CONCRETO

A iniciativa faz parte também do Projeto de Incentivo à Arte Urbana, desenvolvido pela ONG Laboratório de Políticas Públicas e Sociais (Lappus).  

O diretor da Lappus e vereador suplente Marcelo Sgarbossa lembrou que “teve o processo de pesquisa, que durou aproximadamente oito anos. Ela (Mona) tem esse tema das ervas nativas, que nascem sem autorização, como um símbolo de resistência ao desenvolvimentismo, ao concreto”.

Marcelo contou que a ideia de pintar o mural surgiu em 2013. Naquele ano, a suíça havia participado do Fórum Mundial da Bicicleta, em Porto Alegre. Ao pedalar nas ruas da Capital, a artista viu o prédio do DAER e teve a ideia de estampar uma arte na estrutura.

EXECUÇÃO DA IDEIA

Ao retornar a Porto Alegre, anos depois, ela havia se tornado uma muralista de renome internacional e estava com a ideia mais madura de pintar a lateral do prédio. No ano passado, juntou-se a Mauro Neri para realizar o sonho. 

Os trabalhos iniciaram no dia 29 de novembro do ano passado, com a limpeza da estrutura. Após essa etapa, uma equipe coordenada pelos artistas desenhou o esboço. Depois, Mona e Mauro começaram a pintura. Segundo eles, o planta simboliza resiliência, superação e resistência. 

Informações publicadas no site da CUT-RS

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