Segunda, 29 de Novembro de 2021
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Brasil DESIGUALDADE

UGT-RS saúda o Dia da Consciência Negra e condena o racismo e a desigualdade

A desigualdade também é salarial: as pessoas negras recebem 56% menos do que pessoas brancas que ocupam o mesmo cargo

20/11/2021 17h54
Por: Renato Ilha Fonte: IBGE
Norton Jubelli é presidente da UGT-RS
Norton Jubelli é presidente da UGT-RS

A Constituição de 1988, aprovada no ano em que a abolição formal da escravidão completava 100 anos, trouxe conquistas significativas para a população negra, como o direito à terra dos quilombolas. Em 2003, foi criado o Dia Nacional da Consciência Negra e, em 2012, foi sancionada a Lei de Cotas para o Ensino Superior. Em 2019, pesquisa do IBGE apontou que, pela primeira vez, os negros passaram a ser maioria nas universidades e faculdades públicas. Mas a discriminação contra os negros segue presente como um traço da sociedade brasileira. 

Mas a luta contra a desigualdade não pode parar. Todos os dias pessoas negras são brutalmente assassinadas no Brasil, segundo o Atlas da Violência. Relatório que evidencia, ainda, um aumento de 11,5% do número de pessoas negras assassinadas em 2020. "Um número alarmante, que exemplifica as desigualdades enfrentadas pela população negra no Brasil, diariamente", comenta Norton Jubelli, presidente da União Geral dos Trabalhadores do Rio Grande do Sul (UGT-RS). 

O sindicalista lembra que Oliveira Silveira, poeta, intelectual e militante negro gaúcho foi um dos líderes da campanha pelo reconhecimento do Dia da Consciência Negra em 20 de novembro, data em que, no ano de 1695, foi assassinado Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, como contraponto à data formal da abolição da escarcatura no Brasil, registrada em 13 de maio de 1888.

O RETRATO DA DESIGUALDADE 

O ugetista denuncia que a desigualdade também é salarial: as pessoas negras recebem 56% menos do que pessoas brancas que ocupam o mesmo cargo. A ocupação de trabalhos precários chega a ser composta, em alguns setores, por 85% de pessoas negras. Sem falar que cerca de 73% das pessoas de estão abaixo da linha da pobreza são negras. 

Para presidente da UGT-RS, são marcantes os reflexos da história secular de desigualdade e exploração da população negra, que sofre com o racismo e são vítimas de humilhações, frequentemente.

"Falar sobre desigualdade social no Brasil também é falar sobre desigualdade racial", lamenta Norton Jubelli, a partir das pesquisas realizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apontam que as pessoas pretas ou pardas são as que mais sofrem no país com a falta de oportunidades e a má distribuição de renda. Embora representem a maior parte da população (55,8%) e da força de trabalho brasileira (54,9%), apenas 29,9% destas pessoas ocupavam os cargos de gerência, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua 2018.

ENFRENTAMENTO ÀS DIFERENÇAS

No ensino fundamental, a escolaridade dos brancos é de 6,7 anos e dos negros é de 4,5 anos, ou seja, os negros saem da escola antes do tempo para ajudar a família na renda familiar. No ensino superior, nem as cotas raciais fizeram crescer de forma significativa o acesso de negros e pardos às universidades brasileiras.

Reconhecendo que há um longo caminho até a conquista do pleno acesso dos  afrobrasileiros aos direitos humanos fundamentais, à liberdade de expressão e à igualdade racial, o líder sindical cobra ações conjuntas das esferas federais, estaduais e municipais, assim como do movimento social e da sociedade civil como um todo.

A Declaração de Princípios do congresso de fundação da UGT, em 2007, a central sindical afirma: "Lutamos para que todos os trabalhadores e trabalhadoras tenham garantidos a igualdade de oportunidade e de tratamento independentemente de origem étnica, gênero, religião, orientação afetivo-sexual, opinião política, nacionalidade, origem social e situação econômica bem como outros aspectos que podem caracterizá-los".

"VIDAS NEGRAS IMPORTAM"

Mas, apesar do enfrentamento permanente ao racismo e ao preconceito, Norton Jubelli destaca a influência do povo africano na formação cultural e econômica do país. Desde o Brasil colônia até a atualidade a influência dos negros africanos foram muitas, sobretudo nos aspectos religiosos, políticos, sociais e gastronômicos. Ao longo da nossa história, as crenças, as danças, o vocabulário, a culinária e o folclore, foram sendo incorporadas à nossa cultura.

Renato Ilha, jornalista (Fenaj 10.300)

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