Terça, 28 de Setembro de 2021
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Cultura POESIA E ARTE

Em Preta Poesia Feminina, o resgate do protagonismo afro-brasileiro

A estreia em Porto Alegre ocorrerá em 18 de setembro, às 20h, com transmissão pelo YouTube

14/09/2021 13h52
Por: Renato Ilha Fonte: Atriz Silvia Duarte
A atriz Silvia Duarte interpreta as poesias
A atriz Silvia Duarte interpreta as poesias

Quatro apresentações marcam a estreia do projeto Preta Poesia Feminina no Rio Grande do Sul, que traz a atriz Silvia Duarte como protagonista de uma homenagem a cinco poetizas negras: Ana dos Santos, Delma Gonçalves, Isabete Fagundes Almeida, Fátima Farias e Lilian Rocha. Com produção executiva da montagem da obra teatral de Tulio Quevedo, trilha sonora de Alessandra Souza e direção cênica da diretora teatral Silvana Rodrigues, a montagem busca desmistificar o fazer poético como literatura falada.

A estreia em Porto Alegre ocorrerá em 18 de setembro, às 20h, com transmissão pelo YouTube. A proposta conta com apresentações de online em outras cidades e asilos públicos de idosos no mês de setembro: Pelotas (19), Caçapava do Sul (20) e Caxias do Sul (21), sempre às 20h.

Preta Poesia Feminina leva ao público poesias que dialogam com questões contemporâneas do universo das mulheres negras, ao mesmo tempo que destacam o seu valor. A iniciativa pretende oferecer à população afro-brasileira das quatro cidades gaúchas um resgate de seu protagonismo.

DESCOBRINDO A POESIA

Ao referir-se a sua trajetória de amor à poesia, Silvia Duarte lembra que, em sua adolescência, escrevia poesias, mas o estranhamento causado por seus versos a inibiu de prosseguir.

“Com o passar dos anos, em minhas leituras, percebi que não havia escritoras e poetisas negras. Em busca de saber se elas existiam, de conhecer seus problemas e narrativas, na tentativa de me identificar, não apenas na temática do feminismo, mas na condição de mulher negra, conheci Elisa Lucinda. Foi uma paixão. Mergulhei nos poemas dela”, conta.

Seguindo sua busca, leu Conceição Evaristo e fez do poema “Eu-Mulher”, da escritora mineira, o primeiro a ser apresentado publicamente. “Foi assim que decidi interpretar, como atriz, essas poesias que me tocavam”, recorda.

DIFUSÃO DA POESIA

Silvia Duarte também destaca outro momento importante em sua busca pelo que viria a se tornar Preta Poesia Feminina.

“Por indicação de minha irmã, passei a frequentar, na primeira terça de cada mês, o Sarau Sopapo Poético, tradicional evento de difusão da poesia realizado pela Associação Negra de Cultura”, relembra.

“Deparei-me com um grupo de homens e mulheres lendo poesias, algumas autorias e de autorias de diversos poetas e poetizas, todos negros, pois ali sé era possível ler e declamar textos do nosso povo negro. Foi nesses constantes saraus que conheci Lilian Rocha, Isabete Fagundes, Ana dos Santos, Delma Gonçalves e Fátima Farias. Essas cinco mulheres poetizas, algumas compositoras, tão diferentes, mas tão potentes, me proporcionaram viajar no tempo e relembrar o que eu, por tanto tempo, havia negado em mim: a minha poesia”, declara.

DA LIVE AO ESPETÁCULO

Foi assim que a protagonista de Preta Poesia Feminina decidiu aprofundar-se na obra dessas cinco autoras gaúchas. Com a pandemia e a luta dos trabalhadores da cultura por recursos emergenciais, uma das primeiras foi o FAC Digital, que proporcionou recursos para realizar uma Live com poetizas negras, que chamou de Preta Poesia Feminina, embrião do atual projeto.

“Com a abertura do Edital da Marcopolo, eu e o produtor executivo, Túlio Quevedo, decidimos transformar essa Live em um espetáculo. Em setembro, serão cinco artistas gaúchas que estarão no palco por meio de suas poesias, com meu corpo, minha voz, como uma forma de homenagem e gratidão por suas exigências, suas histórias e suas lutas”, conclui.

Fotografias de Matheus Picciani

  

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