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Saúde PANDEMIA

Marca de meio milhão de mortos pela Covid-19 aproxima Brasil dos EUA

É inacreditável! Daqui a 50 anos, quando a pandemia for contada na História do Brasil, ninguém vai acreditar”

23/06/2021 08h21 Atualizada há 1 mês
Por: Renato Ilha Fonte: Rádio Senado
Nicolelis é professor catedrático da Universidade Duke (EUA)
Nicolelis é professor catedrático da Universidade Duke (EUA)

Em entrevista ao Globo, em março deste ano, o médico, neurocientista e professor catedrático da Universidade Duke (EUA) Miguel Nicolelis previu que Brasil chegaria ao marco de 500 mil mortos pela Covid-19 em julho. Em 18 de junho, o Brasil superou a marca de 500 mil mortes por covid-19. Foram 2.247 mortes desde as 20h daquele dia, o que levou o total de óbitos a 500.868. Os dados foram coletados pelo consórcio de veículos de imprensa, junto às secretarias estaduais de Saúde.

O país ultrapassou os 500 mil mortos apenas 50 dias depois de chegar à marca de 400 mil e cerca de 15 meses após a confirmação da primeira morte pela doença.

A triste marca foi alcançada antes do previsto pelo cientista. Na avaliação de Nicolelis, o país já vive a terceira onda da pandemia do coronavírus que, por ocorrer no inverno, tem grandes chances de ser tão letal quanto a segunda.

O professor alerta ainda que o Brasil tem grandes chances de ultrapassar os EUA em mortos pela Covid-19 e acusa o governo federal de não ter se esforçado para evitar a tragédia causada pela pandemia. Em 23 de junho, os Estados Unidos registravam a morte de 602 mil pessoas pelo novo coronavírus.

MORTES PROPORCIONAIS A 49 MUNICÍPIOS

Existem 5.570 municípios no Brasil. Destes, 49 possuem mais de 500 mil habitantes, como são exemplos Florianópolis, capital de Santa Catarina, com 508.826 cidadãos e Vila Velha, no Espírito Santo, em que há 501.325 moradores.

Desde a primeira morte causada pela Covid-19, em março de 2020, 505 mil pessoas perderam a vida até 22 de junho de 2021 em função da doença. O fato foi lamentado pelo senador Omar Aziz (PSD/AM), que preside a CPI da Covid. A triste marca de 100 mil mortes era alcançada em agosto de 2020, a população de uma cidade como Vilhena, em Rondônia, e Lavras, em Minas Gerais, ou Macacapuru, no Amazonas.

Em fevereiro de 2021, a marca chegou a 250 mil óbitos, número equivalente à população de Rondonópolis, em Mato Grosso, Imperatriz, no Maranhão, ou Foz do Iguaçu, no Paraná, conforme dados colhidos junto ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em estimativa de 2020.

ESPECIALISTAS ANTEVEEM UM QUADRO NEGRO

Infectologistas (médicos especializados em doenças infecciosas e parasitárias) e epidemiologistas (especializados no controle de doenças em grupos populacionais) que apontam que, entre 50 e 70% da população receberá ao menos uma dose da vacina até o fim do ano, mas não acreditam que adolescentes comecem a ser vacinados ainda em 2021. Os especialistas não creem que deixemos de usar máscaras ainda neste ano, mas teremos outro período com mais de 2 mil mortes na média móvel diária.

Para Renato Kfouri, infectologista, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), "Outros países do mundo estão verificando essa dificuldade. A cobertura vacinal, talvez até o final do ano, não será de 100% da população. Talvez consigamos 70%, 75%, 80% no máximo da população de 18 anos com uma dose. E talvez uns 60% da população com duas doses. Isso atrapalha, mas é ao mesmo tempo um grande desafio. Vai possibilitar talvez oferecermos a vacina para toda população elegível acima de 18 anos porque, infelizmente, as coberturas vacinais não serão as ideais".

INTENSIFICAR A VACINAÇÃO

Para que o Brasil combata de fato o coronavírus, Miguel Nicolelis recomenda que a vacinação seja intensificada, passando a vacinar de dois a três milhões de pessoas por dia, que seja reduzido o fluxo de pessoas pelas rodovias e seja fechado o espaço aéreo para voos internacionais, principalmente de países onde novas variantes estão ocorrendo.

“E temos que achar uma solução política para remover um governo que se negou a fazer tudo o que era preciso ser feito. A sociedade brasileira está vivendo totalmente desprotegida, a “Deus dará”. Dezesseis meses de pandemia, 500 mil mortos, e ainda não temos um comando central criando diretrizes nacionais de como combater a pandemia. É inacreditável! Daqui a 50 anos, quando a pandemia for contada na História do Brasil, ninguém vai acreditar”, lamenta o neurocientista.

Renato Ilha, jornalista (Fenaj 10.300), com informações da Rádio Senado

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