Sábado, 31 de Julho de 2021
3123420968
Dia a Dia do Trabalho DESGOVERNO

Desgoverno é a marca da gestão Bolsonaro

A desastrosa postura perante a pandemia resulta da atitude sistemática de negar a realidade.

16/06/2021 10h22 Atualizada há 1 mês
Por: Renato Ilha Fonte: UGT-RS
Salaberry é Secretário Nacional da UGT
Salaberry é Secretário Nacional da UGT

Até que as forças democráticas se levantem, o país seguirá desgovernado. Outra vez, o eleitor brasileiro acreditou em frases de efeito e elegeu um presidente que até agora não disse para o que veio. Embora fosse empossado no primeiro dia de 2019, Bolsonaro seguiu fazendo campanha eleitoral, no mesmo estilo de 2018, em que a produção de factoides e declarações bizarras eram a marca de quem se apresentou como inimigo do sistema, mas logo chamou o Centrão para o centro das atenções.

Antes, o presidente brigou com as lideranças do Partido Social Liberal (PSL), legenda na qual se elegeu e com quem travou os primeiros confrontos do novo governo.

Confrontos, aliás, não faltaram: o governo elegeu como inimigos o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal (STF), a Rede Globo de Televisão, além de nomes escolhidos para expressar o desprezo por mulheres, por exemplo.

SEM PROGRAMA

Diferente de seus antecessores, o Governo Bolsonaro ainda não conta um programa de governo. O Plano Real distingue a gestão Itamar Franco, as privatizações e a criação das agências reguladoras estão ligadas ao Governo FHC, enquanto os programas sociais e o acesso das classes populares ao consumo caracterizaram a administração de Lula.

Ao melhor estilo negacionista, o presidente brasileiro colidiu com a maioria das nações do mundo na questão ambiental e climática, desconsiderou a importância da China, seguiu um alinhamento cego ao ex-presidente norte-americano Donald Trump e chegou a ser chamado de “Trump Brasileiro”.

Sem considerar que o Brasil é aliado de nações e não dos presidentes, o governo cometeu erros diplomáticos, cujos reflexos são notados na política, na economia e na luta contra o novo coronavírus. As trapalhadas do Ministério das Relações Exteriores envergonham a diplomacia brasileira, reconhecida em todo o mundo pelo perfil moderado e pragmático.

RUMO AO MEIO MILHÃO DE MORTES 

A desastrosa postura perante a pandemia resulta da atitude sistemática de negar a realidade. Lembram quando Bolsonaro classificou a Covid-19 de “gripezinha”?

Agindo assim, Bolsonaro recusou a compra de vacinas e retardou o ritmo da vacinação, que continua lento. Até a noite de 15 de junho, somente 26,88% da população (56.913.618 pessoas) receberam ao menos a primeira dose e outros 23.842.785 (11,26%) a segunda, conforme dados do consórcio de veículos de imprensa. 

Também em 15/06, o Brasil alcançou a triste marca de 491.164 óbitos, após o registro de 2.760 mortes em 24 horas, o maior número em um único dia no último mês. A média móvel de mortes continua subindo e chegou a 1.980 nesse dia. O índice representa a média diária de óbitos pela doença calculada com base nos números dos últimos sete dias. O número está acima de mil há 146 dias.

Bolsonaro faz questão de afirmar que não será vacinado, circula sem máscara e provoca aglomerações e investiu no remédio errado no enfrentamento da pandemia. O Ministério da Defesa informou que há 1,8 milhão de comprimidos de cloroquina em estoque no Laboratório do Exército. O valor representa cerca de 18 vezes a produção anual do medicamento nos anos anteriores. Normalmente, a cloroquina é usada para combater a malária.

GOVERNO PERDIDO

O presidente que atacou os oponentes na campanha, acusou a “Velha Política” e prometeu governar sob o lema “O Brasil Acima de Todos”, foi incapaz de apontar soluções práticas para a economia e para a geração de empregos. O desemprego é um dos males que mais aflige os trabalhadores e as famílias brasileiras. A falta de propostas efetivas do governo paralisou o País e tornou sombria a perspectiva de recuperação da atividade econômica.

Está afirmada a certeza de que o número de mortes não alcançaria nem a metade do quadro apavorante da atualidade, na qual caminhamos a passos largos para o meio milhão de óbitos, caso a atitude do governo fosse providencial em março de 2020, quando a pandemia foi reconhecida oficialmente.

O desatino bolsonarista diante do fracasso político e o desgoverno que paralisa o País são um sinal para que os setores progressistas reajam e passem a pensar na formação de blocos consequentes e capazes de derrotar a extrema direita. Mas não esperem que o Brasil mude de rumo por meio do impeachment do presidente. Nem imaginem que haverá a renúncia do cargo, pois, mesmo sem fazer nada de bom, Bolsonaro quer continuar governando para poucos e não para o conjunto dos brasileiros.

Miguel Salaberry Filho é Presidente do Sindicato dos Empregados em Clubes e Federações Esportivas do Rio Grande do Sul (Secefergs) e Secretário Nacional da União Geral dos Trabalhadores (UGT)

Nenhum comentário
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Belo Horizonte - MG
Atualizado às 14h38 - Fonte: Climatempo
21°
Poucas nuvens

Mín. Máx. 21°

21° Sensação
17 km/h Vento
40% Umidade do ar
0% (0mm) Chance de chuva
Amanhã (01/08)
Madrugada
Manhã
Tarde
Noite

Mín. Máx. 22°

Sol com algumas nuvens
Segunda (02/08)
Madrugada
Manhã
Tarde
Noite

Mín. 10° Máx. 23°

Sol com algumas nuvens
Ele1 - Criar site de notícias