Quarta, 23 de Junho de 2021
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Dia a Dia do Trabalho BRASIL

A perna curta da mentira dos demagogos

Bolsonaro montou uma equipe dedicada à destruição dos direitos adquiridos por décadas de lutas pelos trabalhadores.

08/06/2021 16h24 Atualizada há 7 dias
Por: Renato Ilha
Salaberry é Secretário Nacional da UGT
Salaberry é Secretário Nacional da UGT

Eleito espalhando mentiras, discursos de ódio contra mulheres, negros, indígenas e o público LGBT, composto por Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros, o presidente da República está encurralado por suas próprias palavras. A conhecida expressão popular "a mentira tem perna curtaquer dizer que toda a mentira, mais cedo ou mais tarde, acaba sendo descoberta. Os discursos inflamados contra a corrupção, os falsos ataques à chamada “Velha Política”, a tentativa de aparentar como um “inimigo do sistema” e a pose de quem vai mudar o país radicalmente ficaram restritas ao “zap zap”, não indo além de frases de efeito ensaiadas em quatro paredes. Na prática, pouco do programa apresentado nas eleições de 2018 foi concretizado.

Mas não demorou para que as cartas do governo fossem mostradas: deixando de lado o hipócrita discurso crítico à velha política e negociando com os partidos conservadores (Centrão), que sempre trocaram cargos por votos, o governo fez de tudo pela aprovação das reformas para favorecer empresários e prejudicar ainda mais a classe trabalhadora. Logo ao assumir, extinguiu o Ministério do Trabalho, reduzindo assim a fiscalização das condições de trabalho e deixando os empregadores mais à vontade para descumprir contratos e desrespeitar a lei.

Dos 22 ministros escolhidos no começo da gestão, nove estão envolvidos em processos e investigações, denúncias essas que vão desde corrupção, improbidade administrativa, favorecimento ilícito, fraude em licitação, caixa dois, inquéritos envolvendo o Ministério Público e a própria Operação Lava Jato.

O próprio presidente, que insiste em discursar contra a corrupção, teve seu nome envolvo em crimes como lavagem de dinheiro, funcionários fantasmas em seu gabinete e o antiético auxílio moradia de R$ 3.083,00, pagos pela Câmara desde 1995, até ser denunciado perto das eleições.

AGRESSIVIDADE ANTI-SOCIAL

Inspirado por Donald Trump, o presidente dos Estados Unidos que agredia a todos que não concordavam com ele, Bolsonaro – O “Trump brasileiro” -, foi eleito presidente do Brasil nas eleições de 2018 com um discurso autoritário, que incita a violência, coloca em risco os direitos humanos e faz uso abundante de fake News, as notícias falsas publicadas por veículos de comunicação como se fossem informações reais.

Bolsonaro montou uma equipe dedicada à destruição dos direitos adquiridos por décadas de lutas pelos trabalhadores. Além de amargar perdas com a Terceirização irrestrita e as reformas Trabalhista e Previdenciária, os trabalhadores viram que a promessa de geração de vagas de trabalho não se cumpriu e as condições de vida dos brasileiros só pioraram.

Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), revelam que o número de famílias endividadas no País alcançou o recorde histórico em abril. O percentual de brasileiros endividados, segundo o levantamento, chegou a 67,5% no mês, altas de 0,2 ponto percentual em relação a março de 2021 (a quinta seguida) e de 0,9 ponto percentual em relação a abril de 2020.

Em um ano de pandemia (março de 2020 a fevereiro de 2021), a inflação sentida pelas famílias brasileiras mais pobres foi de 6,75%, segundo os dados do indicador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) de inflação por faixa de renda. Os preços que mais subiram foram os dos alimentos, com aumento acumulado de 15,5% no ano, enquanto os preços de itens não alimentícios variaram 2,6%. As maiores elevações foram verificadas no preço do óleo de soja (104%), do feijão (81,4%), do arroz (75,3%) e da batata-inglesa (67,3%).

SERVILISMO, AO INVÉS DE PATRIOTISMO

O grave abandono da soberania nacional pelo atual governo diz respeito à política ambiental e a tentativa de entrega da Amazônia. Em entrevista, Bolsonaro afirmou que “existe uma indústria de demarcação” de terras indígenas e que ele pretende fazer uma parceria com os Estados Unidos para explorar a Amazônia. Trata-se de um duplo crime: contra a pátria e contra a natureza.

Apesar de apresentar-se como patriota na campanha eleitoral, a subserviência do governo Bolsonaro à outras nações envergonha os brasileiros. O presidente brasileiro, que costumava aparecer sempre ao lado da bandeira norte-americana, passou a posar ao lado da bandeira israelense após a derrota eleitoral de Trump. Nunca houve um presidente que batesse continência para um funcionário dos Estados Unidos, ou que fosse a Washington sem levar nenhuma pauta de interesse dos brasileiros.

DESPREZO ÀS VIDAS BRASILEIRAS

Desde o início do surto de Covid-19 no Brasil, Bolsonaro vem cometendo erros no combate ao vírus. Menosprezou a agressividade da doença e declarou ser contra o isolamento social. Respondeu com ironia sobre as mortes, espalhou notícias falsas, errou previsões e números.

Em março de 2020, quando estava em Miami, Bolsonaro afirmou que a crise era “fantasia” e que “não é isso tudo que a grande mídia propaga”.  Um dia depois, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou a infecção do novo coronavírus como uma pandemia mundial. No mesmo mês, Bolsonaro chamou de “histeria” a preocupação com a propagação. No dia 20, o presidente disse que “depois de uma facada, não seria uma gripezinha que vai me derrubar”.

Mestre em criar factóides para desviar o debate dos graves problemas que afligem o país e o povo, o Chefe do Executivo escolheu a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para suas trapalhadas. No momento mais grave da pandemia, que já vitimou 475 mil vidas, até 09/06/2021, Bolsonaro fez gestão para que o então presidente Rogério Caboclo aceitasse sediar a Copa América, marcada inicialmente para ocorrer na Colômbia e na Argentina. Diferente das Eliminatórias da Copa do Mundo, a Copa América é um certame que bem poderia ser adiado em razão do contexto mundial. A Copa, que envolve 10 países sul-americanos, trará para o Brasil novas possibilidades de contaminação.

DISCURSO DO ENGANADOR

Os demagogos são aqueles políticos que manipulam sentimentos e paixões populares visando conquistar o poder, normalmente através um discurso bonito, mas com o intuito de enganar a população ou mesmo fingir ter bons sentimentos e boas intenções.

Mas são curtas as pernas da mentira e da demagogia. O povo brasileiro, que enfrentou tantas provações e adversidades, não seria enganado por muito tempo. Esses humilhados e ofendidos não irão ficar calados diante desse político farrista, que promove aglomerações, anda sem máscara de proteção à Covid-19 e pilota motocicleta sem capacete. A resposta para tanta má fé virá nas urnas.

Miguel Salaberry Filho é presidente do Sindicato dos Empregados em Clubes e Federações Esportivas do Rio Grande do Sul (Secefergs) e Secretário Nacional da União Geral dos Trabalhadores (UGT)

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