Quarta, 23 de Junho de 2021
3123420968
Esportes CBF NA BERLINDA

Denúncia de assédio sexual e moral afasta Rogério Caboclo da presidência da CBF

Antes de afastar Caboclo, a Comissão de Ética analisou as 12 folhas de denúncias da funcionária cerimonialista da CBF.

07/06/2021 20h59
Por: Renato Ilha Fonte: CBF
O afastamento está baseado na gravidade das acusações
O afastamento está baseado na gravidade das acusações

O Conselho de Ética da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) afastou Rogério Caboclo da presidência da entidade. A suspensão, anunciada no final da tarde de 06/06, tem duração de 30 dias e ocorre após uma funcionária da CBF acusá-lo de assédio sexual e moral, o que ele nega. Em nota, a CBF informou que o processo vai seguir rito sigiloso. O vice-presidente mais velho, Antônio Carlos Nunes, assume durante o período de afastamento. Uma reunião extraordinária entre os diretores da CBF e os oito vice-presidentes eleitos foi convocada para a manhã de segunda-feira, no Rio de Janeiro. A Comissão tem poder de sancionar todos envolvidos na esfera do futebol brasileiro, incluindo o presidente da CBF.

Pressionado por patrocinadores e outros dirigentes da confederação, Caboclo nega ter cometido qualquer tipo de assédio e diz que provará sua inocência no processo da Comissão de Ética, criada em 2017.  

A decisão está baseada na gravidade das acusações: o artigo 143 do estatuto da CBF prevê que a diretoria pode afastar, em caráter preventivo, "qualquer pessoa física ou jurídica direta ou indiretamente vinculada à CBF que infrinja ou tolere que sejam infringidas as normas constantes deste Estatuto ou do Estatuto da FIFA ou da CONMEBOL, bem como as normas contidas na legislação desportiva e nos regulamentos da CBF."

PROVAS CONSISTENTES

Antes de afastar Caboclo, a Comissão de Ética analisou as 12 folhas de denúncias da funcionária cerimonialista da CBF. Os abusos teriam ocorrido contra a autora da denúncia, que detalhou episódios vividos por ela desde abril do ano passado.

No documento, a cerimonialista afirma ter provas de todos os fatos narrados e pede que o dirigente seja investigado e punido com o afastamento da entidade e, também, pela Justiça Estadual. Conta sofrer constrangimentos em viagens e reuniões com o presidente e na presença de diretores da CBF.

Na denúncia, a funcionária detalha o dia em que o dirigente, após sucessivos comportamentos abusivos, perguntou se ela se "masturbava". Entre outros episódios de extrema gravidade, segundo a funcionária, Caboclo tentou forçá-la a comer um biscoito de cachorro, chamando-a de "cadela".

ALCOOLISMO

A funcionária, que tem oito anos de CBF, alega que Caboclo consumo de álcool durante o expediente. Ela era obrigada a esconder garrafas no banheiro para que o dirigente pudesse beber sem ser notado. Também cabia a ela recolher as garrafas vazias. Em viagens, era orientada a pedir bebidas alcoólicas para ele nos hotéis, mas marcar como consumo do quarto dela.

Ela detalha um caso ocorrido no dia 9 de março de 2021, na casa do dirigente em São Paulo, onde auxiliava Caboclo em reuniões presenciais e virtuais. Após um dia inteiro de consumo de bebida alcoólica, o dirigente teria chamado a funcionária de "cadelinha", e, em seguida, ofereceu biscoitos de cachorro para ela. Como a funcionária o repreendeu, ele então passou a simular latidos.

CABLOCO É DA TURMA

Vigésimo presidente da CBF, Rogério Langanke Caboclo foi eleito em 2018, mas só assumiu em abril de 2019, aos 46 anos. Filho de Carlos Caboclo, ex-dirigente do São Paulo, ele foi diretor do clube do Morumbi e iniciou sua trajetória na política apadrinhado por Marco Polo Del Nero, na Federação Paulista de Futebol. Advogado e administrador, ele foi diretor executivo na entidade paulista. Foi diretor financeiro de Del Nero, eleito após José Maria Marin, e também diretor de relações institucionais do Comitê Olímpico Local da Rio 2016.

COPA AMÉRICA: OUTRA CRISE

Já faz quase dois meses que a CBF estava em ebulição. Neste período, segundo diversas fontes – presidentes de clubes e de federações estaduais, dirigentes da própria CBF e agentes externos com acesso à cúpula da entidade – o comportamento de Rogério Caboclo ficou ainda mais errático e agressivo.

Junto aos problemas de Caboclo, explodia outra crise no futebol sul-americano: a Copa América, prevista para ser disputada na Colômbia e na Argentina, ficou sem sede. A Colômbia não pôde garantir a segurança do torneio, por problemas políticos e sociais, e a Argentina desistiu ante o agravamento da pandemia da Covid-19.

Com o apoio do presidente Jair Bolsonaro, Rogério Caboclo ofereceu o Brasil para abrigar o torneio. A Conmebol, então, anunciou a realização da Copa América no Brasil em suas redes sociais.

CALDO DE CULTURA

O apoio e o respaldo do presidente Jair Bolsonaro, as cobranças para que os jogadores se posicionassem frente às críticas do país por receber uma competição rejeitada pela Argentina, em meio à crise da Covid-19, levantou debate na Seleção sobre manifestação dos atletas.

Caboclo causou constrangimento no vestiário da seleção brasileira, quando fez discurso inflamado. O ambiente que já não era leve se tornava insustentável. Sugeriu que ninguém falasse publicamente, o que não aconteceu. Em forma de enigma, Casemiro disse que "todos sabiam da posição" dos jogadores e da comissão técnica, mas só falariam depois da partida do Paraguai.

Renato Ilha, jornalista (Fenaj 10.300)

Nenhum comentário
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Belo Horizonte - MG
Atualizado às 08h02 - Fonte: Climatempo
16°
Alguma nebulosidade

Mín. 13° Máx. 26°

16° Sensação
4 km/h Vento
77% Umidade do ar
0% (0mm) Chance de chuva
Amanhã (24/06)
Madrugada
Manhã
Tarde
Noite

Mín. 12° Máx. 25°

Sol com algumas nuvens
Sexta (25/06)
Madrugada
Manhã
Tarde
Noite

Mín. 13° Máx. 28°

Sol com algumas nuvens
Ele1 - Criar site de notícias