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Dia a Dia do Trabalho FUTEBOL NA PANDEMIA

Vacinação lenta, recorde de mortes e Copa América

A Copa América no Brasil é um desrespeito à saúde, ao esporte à tradição brasileira e à imagem do país no exterior.

01/06/2021 17h23 Atualizada há 2 meses
Por: Renato Ilha Fonte: consórcio de veículos de imprensa.
Salaberry é Secretário Nacional da UGT
Salaberry é Secretário Nacional da UGT

Desde 26 de fevereiro de 2020, quando foi confirmado o primeiro caso de infecção pelo novo coronavírus, em São Paulo, a normalidade deu lugar à uma mudança radical de comportamento. De lá para cá, a Covid-19 consumiu com mais de 460 mil brasileiros e somente 10,42% da população recebeu a segunda dose da vacina (até 30 de maio de 2021). Até essa data, outros 21,36% receberam pelo menos a primeira dose. Nesse cenário de incerteza e insegurança o presidente da República aceita sediar a Copa América, recusadas por Colômbia e Argentina, devido a este momento crítico da história da humanidade.

A julgar pelas primeiras e últimas ações do presidente Jair Bolsonaro, a vinda da Copa América para o Brasil é mais um episódio da conturbada atitude do mandatário diante do combate à pandemia.

É um desrespeito à saúde, ao esporte à tradição brasileira e à imagem do país no exterior. Os principais estádios são ocupados pelo Brasileirão e a média móvel de mortes por dia ainda é de 1800. Houve 950 óbitos no domingo (30/05). Argentina e Colômbia desistiram de receber a competição por causa da Covid-19.

Bolsonaro nega a existência da doença, debocha dos infectados e recomenda o uso de medicamentos sem eficácia comprovada no combate à infecção. O presidente ainda chama de “idiota” o pessoal do “Fique em Casa”. Se em março de 2020, o presidente chamava a letal Covid-19 de “gripezinha”, em maio de 2021, ele afirma que “a pandemia está acabando”. Sim, está acabando com as vidas brasileiras, com nossos familiares, amigos e colegas de trabalho. Está acabando com a nossa paciência.

GOVERNO DIZ NÃO À VACINA DA PFIZER

Foi preciso instalar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, que investiga ações e omissões do governo durante a pandemia, para que o gerente-geral da farmacêutica Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, confirmasse em seu depoimento aos senadores da CPI da Covid que o governo de Jair Bolsonaro rejeitou três ofertas de 70 milhões de doses da vacina Pfizer/BioNTech, cujas primeiras doses poderiam ter sido entregues em dezembro de 2020.

A primeira oferta de 70 milhões de doses veio em 14 agosto de 2020, com prazo para resposta em 15 dias. A segunda e terceira ofertas de 70 milhões de doses foram feitas em 18 e 26 de agosto, não sendo aceitas pelo governo, segundo Carlos Murillo. Todas as ofertas tinham cronograma de início da entrega em 2020.

Como a vacina da Pfizer custava R$ 55,00, com 400 milhões de doses poderíamos vacinar toda a população brasileira ao custo de R$ 22 bilhões, valor inferior ao reajuste concedido por Bolsonaro às Forças Armadas, de R$ 26,5 bilhões.

DINHEIRO PARA ALIADOS

A notícia de que a Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) adquiriu os direitos de transmissão da novela bíblica Os dez mandamentos, da TV Record, por R$ 3,5 milhões, foi mal-recebida pelos trabalhadores da estatal.

Trata-se de um contrato estranho, feito sem licitação, em que o dinheiro simplesmente foi repassado para a Record, que pertence a um dos principais aliados do presidente Jair Bolsonaro, que que vem interferindo na EBC com censura e controle de conteúdos. 

Em janeiro de 2020, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) privilegiou canais de TV ligados a grupos alinhados ao governo Jair Bolsonaro na campanha publicitária da reforma da Previdência.

Conforme reportagem da Folha, de 27/01, a Record foi contemplada com R$ 6,5 milhões, o SBT ficou com R$ 5,4 milhões e a Band recebeu R$ 1,1 milhão. Líder de audiência no país, a TV Globo recebeu R$ 2,6 milhões.

A DESNECESSÁRIA COPA AMÉRICA

E num momento trágico da pandemia de coronavírus, com a possibilidade de uma terceira onda de covid-19 chegando, Bolsonaro volta a surpreender ao aceitar que o Brasil sedie uma nova edição da Copa América que não deveria acontecer.

A Copa América não deveria ocorrer em 2020, porque fere a periodicidade proposta pela Conmebol. Depois de 2007, a ideia era voltar a fazer a competição de quatro em quatro anos. Entendeu-se a exceção de 2016, por ser o ano do Centenário, disputada nos Estados Unidos, um ano depois da edição normal, no Chile.

Coincidentemente, o SBT já garantiu os direitos de transmissão da competição sul-americana, sendo a única da TV aberta a transmitir todos os jogos do Brasil, incluindo as partidas de abertura e a final.

FUTEBOL É MELHOR DO QUE VACINA

E para quem ainda não se deu conta que o presidente da República não quis acelerar a vacinação da população brasileira, permitindo a perda de milhares de vidas, vamos resumir os fatos:

Bolsonaro é um presidente sem partido, que se elegeu criticando o que chamava de “Velha Política”. Ainda no primeiro ano de mandato se aliou ao Centrão, um grupo de parlamentares de partidos diversos que vota conforme os próprios interesses.

O presidente está em campanha eleitoral desde 1º de janeiro de 2020, quando tomou posse, até agora. Promover aglomerações, passear de motocicleta sem máscara e capacete são atos normais para ele. A reeleição é mais importante do que as vidas de brasileiros perdidas diariamente.

É hora de governar, Presidente!

Miguel Salaberry Filho é Presidente do Sindicato dos Empregados em Clubes e Federações Esportivas do Rio Grande do Sul (Secefergs) e Secretário Nacional da União Geral dos Trabalhadores (UGT)

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