Quarta, 23 de Junho de 2021
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Dia a Dia do Trabalho VIOLÊNCIA

Violência é questão de Estado e não assunto exclusivo das polícias

O combate à violência é uma questão de Estado, que deve mobilizar o conjunto da estrutura oficial.

11/05/2021 23h56 Atualizada há 3 semanas
Por: Renato Ilha Fonte: UGT-RS
Salaberry é Secretário Nacional da UGT
Salaberry é Secretário Nacional da UGT

Além dos males das crises econômica e sanitária, a sociedade brasileira dorme e acorda perturbada por um intenso sentimento de insegurança, que é instigado pelo constante bombardeio de notícias e discursos que alardeiam a violência e as facetas da perversidade humana. A “Chacina do Jacarezinho” é mais um acontecimento nesse ambiente contrário aos cidadãos. Outro elemento que se soma aos roubos, homicídios com requintes de crueldade, violência no trânsito, tráfico de drogas e ameaça terrorista. Os cidadãos estão cada vez mais oprimidos por um modelo que gerou um exército de desempregados, marginalizados e excluídos, sem acesso ao mercado de consumo.

A trágica operação ocorrida em 6 de maio de 2021 na favela do mesmo nome, ao Norte da cidade do Rio de Janeiro, durante uma operação da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, resultou em pelo menos 29 pessoas mortas a tiros ou por objetos de corte. Foi a chacina mais letal ocorrida no Rio e uma das maiores do estado, sendo comparável à chacina da Baixada, de 2005.

O estado do Rio de Janeiro é detentor de um histórico com uma série de chacinas similares, marcados por execuções realizadas em operações policiais, que apresentam tendência de uso desproporcional da força em favelas e que gera muitos questionamentos.

Em 1993, a chacina na favela de Vigário Geral, na Zona Norte do Rio, vitimou 21 moradores da comunidade. Em 2005, a chacina da baixada fluminense deixou 29 mortos, sendo 17 pessoas em Nova Iguaçu e 12 em QueimadosEm 2007, uma operação policial no Complexo do Alemão resultou na morte de 19 pessoas, das quais pelo menos onze dos mortos não tinham relação alguma com o tráfico.

VIOLÊNCIA É QUESTÃO DE ESTADO

Ao reconhecer que a violência urbana resulta de fatores como exclusão social, falta de perspectiva de vida, desestruturação familiar, ausência de justiça social e drogadição, compreendemos que ela não deve ser combatida apenas com o aparato repressor.

Por ser um tema crucial para a sociedade, o combate à violência é uma questão de Estado, que deve mobilizar o conjunto da estrutura oficial. A começar pela implementação de políticas públicas, que contemplem a população mais pobre, o que pode ser feito por meio de ações efetivas do poder público nas áreas periféricas, onde há maior concentração de pobreza.

A violência tem solução quando o Estado entra em campo com as secretarias de Obras, Ação Social, Saúde e Educação. Quando as prefeituras implantam infraestrutura de saneamento, com água encanada e esgoto canalizado. Aliás, as prefeituras são as primeiras promotoras do bem-estar do cidadão, merendo o apoio permanente dos governos estaduais e federais. O desenho geográfico do Jacarezinho se deu sem planejamento estatal e segue a sina de abandono das comunidades carentes.

MUDANÇA DE CONCEITO

Portanto, políticas públicas inclusivas são ações que colaboram para a redução da violência, principalmente, nos grandes centros urbanos. Aliás, é obrigação do poder público, da polícia e demais órgãos, respeitar os direitos do cidadão e dar respostas satisfatórias às suas demandas. Por isso, é preciso dialogar com a sociedade civil e garantir-lhe o direito de opinar.

Ex-jogador de futebol e senador da República pelo Rio de Janeiro, Romário declarou que é preciso ocorrer uma mudança profunda no combate ao crime no Rio e no Brasil. “E é para ontem”, disse. Para o político, “O estado precisa investir massivamente nas favelas. Vai dizer que já investe hoje? Pois é muito, muito pouco. Precisamos de educação de alto nível, saúde, estrutura, saneamento básico”.

Para Romário, “O estado precisa combater a pobreza e o preconceito, são fatores que são determinantes para que tantas pessoas ainda vivam em condições degradantes e expostas à violência e à falta de oportunidades. O estado do Rio de Janeiro e o Brasil poderiam aproveitar este momento e fazer uma profunda reflexão, ter este dia como um marco e oferecer algo novo às comunidades".

Miguel Salaberry Filho é presidente do Sindicato dos Empregados em Clubes e Federações Esportivas do Rio Grande do Sul e Secretário Nacional da União Geral dos Trabalhadores (UGT)

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