Quarta, 23 de Junho de 2021
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Dia a Dia do Trabalho FOME

Dia das Mães contra a fome, em Canoas/RS

A longa fila que se formou a partir da casa que sediava a ação mereceu o paciente atendimento prestado pela equipe de Carmen Rangel.

10/05/2021 11h18 Atualizada há 1 mês
Por: Renato Ilha Fonte: UGT-RS
Junto ao cardápio especial, uma rosa para as mães, as homenageadas do dia.
Junto ao cardápio especial, uma rosa para as mães, as homenageadas do dia.

Uma tarde de sábado ensolarada iluminou a ação social em homenagem às mães, realizada um dia antes da data comemorativa, no setor 6 do Conjunto Guajuviras, em Canoas, município da Região Metropolitana de Porto Alegre. A atividade, que mobilizou pessoas de todas as idades, foi organizada pelo casal Danilo Silva e Carmen Rangel, conhecidos pelas promoções em favor das comunidades carentes. No 1º de Maio - Dia Internacional dos Trabalhadores -, o casal atuou na distribuição de cestas básicas no mesmo bairro canoense, a partir da arrecadação promovida pela União Geral dos Trabalhadores do Rio Grande do Sul (UGT-RS) junto aos sindicatos filiados.  

Desde cedo, a equipe de apoio, formada por voluntários, atuou no espaço gentilmente cedido por Débora e Leonardo Marinho preparando a refeição e servindo as embalagens que seriam entregues aos moradores. Junto a um cardápio composto por frango, salsichão, arroz feijão e refrigerante, uma rosa para as principais homenageadas do dia: as mães. Também os recém-nascidos foram lembrados: havia sopa especial congelada especialmente para os bebês.  

A longa fila que se formou a partir da casa que sediava a ação mereceu o paciente atendimento prestado pela equipe de Carmen Rangel. A coordenadora declarou a felicidade por ter conseguido reunir os recursos necessários para mais um ato de solidariedade.

Ela lembra que as crises econômica e sanitária ampliaram a insegurança alimentar em comunidades habitadas pelos pobres. “Há pessoas que farão dessa a única refeição do dia”, lamentou a coordenadora.

MENOS ALIMENTOS

Conforme a União de Núcleos, Associações dos Moradores de Heliópolis e Região (UNAS), pelo menos 68% das famílias perderam renda durante a pandemia. E o impacto sobre a segurança alimentar foi direto: 67% afirmaram que precisaram, pelo menos uma vez, diminuir a quantidade de alimentos em suas refeições diárias, além de 42%que deixaram de fazer uma das três refeições diárias por falta de recursos financeiros.

A UNAS é uma entidade sem fins lucrativos que surgiu em 1978 enquanto comissão de moradores da favela de Heliópolis, que lutava pelo direito à moradia e posse da terra. Heliópolis ocupa aproximadamente 1 milhão de metros quadrados e se localiza na região sudeste da cidade de São Paulo, a 8 km do centro. Em sua área, hoje vivem cerca de 200 mil habitantes, o que faz da comunidade a maior favela de da capital paulista.

A FOME ESTÁ DE VOLTA

Para milhões de brasileiros, a fome é algo crônico e duradouro, sem que exista acesso regular a alimentos que atue contra a perda de garantia de uma vida digna. Com a pandemia, esse cenário se agravou. Mesmo a alimentação sendo uma necessidade básica do ser humano, muitas pessoas não têm esse direito. Elas vão dormir sem saber quando terão a próxima refeição. Cerca da 19 milhões de pessoas passaram fome no Brasil, em 2020.

A fome voltou. Ela não só está visível nas ruas, como cada vez mais surgem indicadores mostrando que essa chaga, em vias de ser superada anos atrás, retornou à centralidade dos problemas do país. Mais da metade da população brasileira sofre com algum grau de insegurança alimentar e pelo menos 15% convivem com a falta diária e constante de ter o que comer. Os números constam do levantamento mais recente até o momento sobre o tema, no relatório “Efeitos da pandemia na alimentação e na situação de segurança alimentar no Brasil”.

Embora o tripé vírus-negacionismo-desemprego tenha a sua parcela de culpa, não é o único fator responsável pela situação e nem é, certamente, o central.

SITUAÇÃO CRÔNICA DO PAÍS

“A pandemia deixou óbvio qual é o projeto de país que se tem e que se implementa de uma maneira muito eficiente”, observou a ex-presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), Elisabetta Recine, também professora e coordenadora do Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição da UnB. “Essa fome, no final, é produto de um momento agudo, que é expressão de uma situação crônica nesse país”, ela complementou, durante o evento de divulgação do relatório sobre a fome, tocando num ponto nevrálgico para discutir o que é e de onde vem essa chaga.

Com a eleição de Jair Bolsonaro, o aumento da fome foi ignorado, sendo desarticulados programas sociais e estruturas de governo, que serviriam para revertê-lo.

Desde então, uma série de políticas fundamentais para evitar um retrocesso na garantia da alimentação e nutrição adequadas foram destruidas, como a Extinção do Consea; Desidratação do Programa de Aquisição de Alimentos; Destruição do Programa de Cisternas; Demissão de servidores da área de Segurança Alimentar e Nutricional; Desativação dos estoques estratégicos de arroz; Paralisação da reforma agrária; Descontinuidade do programa de renda básica emergencial, e Descontrole da inflação dos alimentos.

Renato Ilha, jornalista (Fenaj 10.300)

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