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“No Brasil, Nossa Elite!"

Paulo Mendes trabalhou no Tesouro Nacional e atuou na negociação da dívida brasileira, tendo integrado a equipe que formatou o Plano Real.

05/05/2021 15h39 Atualizada há 3 meses
Por: Renato Ilha Fonte: Consultor Paulo Mendes
Paulo Mendes atuou na Anvisa por 19 anos.
Paulo Mendes atuou na Anvisa por 19 anos.

Economista e consultor, Paulo Mendes aponta que a atual queda da moeda brasileira provoca um aumento de distorção econômica entre o cidadão trabalhador brasileiro em relação àqueles que trabalham com commodities (agropecuária e mineradoras) e moedas estrangeiras (bancos e agentes do Sistema Financeiro). São absolutamente necessários o desenvolvimento e a boa presença econômica desses importantes setores econômicos. Mas nunca em detrimento das demais atividades produtivas/comerciais e dos cidadãos empregados e de livre iniciativa. A desvalorização incontrolada do Real, que temos visto nos últimos anos, tem trazido inflação, descrédito de nossa moeda, apesar de vantagens para os setores de exportação. No entanto, esses produtos que são exportados, também são vitais para a sociedade brasileira. Assim, quando o real desvaloriza, o patrimônio de quem exporta aumenta, assim é o faturamento da agricultura, pois pagamos o preço em Real o alto preço em moeda estrangeira por produtos que funcionam como matéria-prima, produzidos em escala e que podem ser estocados sem perda de qualidade, como petróleo, suco de laranja congelado, boi gordo, café, soja e ouro. Commodity é uma palavra de origem inglesa cujo significado é mercadoria. 

Paulo Mendes trabalhou no Tesouro Nacional e atuou na negociação da dívida brasileira, tendo integrado a equipe que formatou o Plano Real, desde o Governo Sarney até o Governo Fernando Henrique. Ele elogia a gestão do ex-presidente Itamar Franco por ter liderado o lançamento do Plano Real, um plano econômico que tinha o poder de mudar o Brasil, por controlar uma hiperinflação de décadas, acabar com a moratória que vigorava desde o Governo Sarney (1987) e equacionar, de modo eficaz, a dívida externa.

Ao fazer referência à sigla MYDF (Multi-Year Deposit Facility), que foi consequência da centralização do câmbio no Banco Central e a retenção e controle de todas as remessas de recursos em moeda estrangeira. Neste período, os bancos e casas de câmbio obrigatoriamente tinham de recorrer ao Banco Central. A Dívida Externa brasileira era elevada e o país possuía muito poucas reservas em moeda estrangeira. O processo que levou ao Plano Real, depois de inúmeras outras tentativas de planos econômicos, aconteceu após o impeachment do Presidente Collor, seu Vice, Itamar Franco, assumiu o mandato e montou uma excepcional e coesa equipe econômica que foi bem sucedida em resgatar a moeda brasileira e equacionar as dívidas, tanto a interna, quanto à externa, trazendo estabilidade, respeito e reconhecimento internacional. Cabe lembrar que nas negociações pré-Plano Real, as questões da Dívida Externa, Títulos Públicos e os já citados Depósitos MYDF, foram renegociados e trocados por novos Títulos do Governo Brasileiro, com liquidação em até 35 anos daquela data. Assim, também foi firmado o MYDFA (Multi-Year Deposit Facility Agreement – Acordo Plurianual de Depósitos em Moeda Estrangeira) que garantiu o ingresso de cerca de 100 bilhões de dólares, em várias moedas estrangeiras, no Orçamento do Brasil após o término da negociação e início do novo Governo liderado pelo Fernando Henrique Cardoso (FHC), que havia sido Ministro das Relações Exteriores e passou a Ministro da Fazenda, no Governo Itamar Franco.

A NOSSA ELITE

Quando o acordo foi selado, os valores da Divida Externa e Créditos retidos pela Moratória foram trocados por títulos com validade de 10 a 35 anos. Esse recurso entrou no Orçamento de 1995, junto com a Posse do Presidente FHC. Ele tinha, então, uma nova moeda, baixa inflação, baixa dívida pública e grandes recursos e reservas em moeda estrangeira, além de grande credibilidade internacional recuperada. Poderia ter investido muito na infraestrutura e economia brasileira. Porém, priorizou a privatização de estruturas importantes da econômica brasileira, tais como Rodovias, Portos, Bancos Estatais, Empresas de Telefonia, Empresas de Mineração, enfim, houve um processo vigoroso de privatização em diversas atividades que eram exercidas pelo Estado. Também, teve de criar controles para esses setores privatizados. Assim, ao longo de anos e diferentes governos, nasceram as Agências Reguladoras (ANVISA, ANATEL, ANTT, ANA, ANCINE, ANP, ANS, ANTAQ, ANEEL, ANAC e ANM).

Mas, podia ser diferente. O Brasil vem se tornando um provedor de recursos primários (agropecuária, minerais e recursos naturais) e se desindustrializando. Muitas indústrias importantes nacionais deixaram de existir e seus produtos foram substituídos por produtos importados, especialmente de países asiáticos. Hoje vivemos uma dependência completa desses países. A atual crise de respiradores, insumos para vacinas, produtos de proteção contra essa pandemia, demonstra nossa perigosa dependência. E a desvalorização do Real agrava essa situação. O Brasil poderia hoje figurar entre os países mais reconhecidos e ambicionados do planeta, por contar com um povo maravilhoso, riquezas naturais exuberantes, um território continental e um clima temperado! Qual seria a solução? A meu ver, investir no Brasil, seu povo e suas riquezas. Investir na Educação, Formação Profissional, Pesquisa, aproveitamento das riquezas o País. Mas, sem ideologia, afirmo que nossos governantes, nossas elites, sejam de direita, sejam de esquerda, não olharam para essa vertente de modo competente.

FATOR TRANSFORMADOR

Décadas atrás, o Brasil era o país do futuro. Mas países que haviam saído de guerras, crises políticas e outras mazelas, países que eram pobres com população rural e pobre imensa, como a China, a Índia, Vietnã, Coréia do Sul, Islândia, entre outros, hoje são provedores de bens e serviços para todo o mundo. Mas o que mudou realmente esses países em poucas décadas? Uma palavra: EDUCAÇÃO.

“Enquanto os governos não investirem de fato em educação o Brasil não vai sair dessa situação de grande fornecedor de matéria prima e importador de bens. Não falo apenas de Escolas, Faculdades, Universidades. Falo de EDUCAÇÃO. Ou seja, formação profissional, empregabilidade, enfim, precisamos de governos que pensem dessas prioridades. Com essa formação, podemos nos tornar líderes mundiais em todos os setores econômicos, por termos potenciais que nenhum outro país possui e um povo capaz, se educado e bem formado", adverte Paulo Mendes. Ele lembra e relata ter recebido artigo versando sobre a “Síndrome de Estocolmo”, um estado psicológico em que a pessoa submetida à intimidação, medo, tensão e até mesmo agressões, passa a ter empatia e sentimento de amor e amizade por seu agressor.

“Estamos vivendo essa síndrome no Brasil hoje”, afirma o pensador.

ESTUDAR FAZ BEM

Formado em Economia, Paulo Mendes trabalhou no Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) por 16 anos. Maior empresa pública de tecnologia da informação do mundo, o Serpro foi criado para fornecer produtos e serviços de Tecnologia da Informação (TI) para as instituições e órgãos públicos brasileiros.

No Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta), teve de aprender a falar francês, idioma dos instrutores que treinaram os brasileiros. Mendes ainda atuou como consultor da Unesco, Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, é uma agência especializada da ONU, fundada em 16 de novembro de 1945 e que está sediada em Paris/FR.

Antes de se aposentar, Paulo Mendes atuou na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) por 19 anos. Ainda fazem parte da formação técnica de Mendes duas pós-graduações, pela Universidade de Brasília (UnB) e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Renato Ilha, jornalista (Fenaj 10.300)

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