Terça, 13 de Abril de 2021
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Dia a Dia do Trabalho IMPRENSA

Brasil é o país com maior número de jornalistas mortos por covid-19

Os estados que registram os maiores números de mortes de jornalistas são Amazonas, Pará e São Paulo, com 19 ocorrências cada.

07/04/2021 08h37 Atualizada há 6 dias
Por: Renato Ilha Fonte: Fenaj
Data expressa o reconhecimento social da importância do Jornalismo e dos profissionais que o executam.
Data expressa o reconhecimento social da importância do Jornalismo e dos profissionais que o executam.

Na véspera do Dia do Jornalista (06/04), Fenaj divulgou novos dados do dossiê com os jornalistas vítimas do coronavírus no Brasil.  Mortes de jornalistas por covid-19 neste ano superam as de 2020. No levantamento apresentado pelo Departamento de Saúde da Fenaj, com base em notícias e no acompanhamento pelos sindicatos de jornalistas do país, 169 jornalistas profissionais morreram entre abril de 2020 e março de 2021. O documento mostra também que em três meses deste ano, o número de mortes supera todo o ano anterior, quando foram registrados 78 óbitos de jornalistas de abril a dezembro. Em 2021, já são 86 vítimas, com percentual 8,6% maior que no total de 2020.

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj)  divulgou os novos dados do dossiê “Jornalistas vitimados por covid-19”, referentes ao primeiro trimestre de 2021, que colocam o Brasil como o país com o maior número de profissionais mortos pelo novo coronavírus no mundo.

Responsável pela sistematização do dossiê, no primeiro trimestre de 2021, o diretor do Departamento de Saúde da Fenaj, Norian Segatto, informa que a média é de 28,6 mortes de jornalistas por mês. “Os 169 casos apurados até agora são resultado da necropolítica do governo federal. Os números mostram a urgência de a sociedade se posicionar contra o governo genocida de Jair Bolsonaro”, lamenta.

MORTES POR ESTADO

Os estados que registram os maiores números de mortes de jornalistas são Amazonas, Pará e São Paulo, com 19 ocorrências cada, seguido do Rio de Janeiro (15) e Paraná (13). Na categoria, a maioria dos casos é na faixa etária dos 51 a 70 anos (54,9% das mortes) e entre homens, sendo que entre as vítimas fatais da doença, 9,8% são mulheres jornalistas.

“Assim com os profissionais da saúde, a categoria dos Jornalistas também está se sacrificando para garantir informação de qualidade para a população brasileira. Os números são alarmantes, mas vamos continuar cumprindo nosso papel, porque informação verdadeira também ajuda a salvar vidas”, afirma Maria José Braga, presidenta da Fenaj.

A Fenaj alerta que os dados podem estar subnotificados e que o dossiê é atualizado de maneira constante e informa que, desde o início da pandemia, tem atuado em diversas frentes para orientar e organizar a ação dos Sindicatos, de forma a garantir condições adequadas de trabalho, denunciar junto aos órgãos fiscalizadores quando as medidas sanitárias são desrespeitadas e, ainda, denunciar à sociedade os ataques sofridos pelos profissionais jornalistas, que também contribuem pelo combate à pandemia com a produção de informação.

O DIA DO JORNALISTA

Celebrado no Brasil em 07 de abril, o Dia do Jornalista foi instituído em 1931, por decisão da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), como uma homenagem ao jornalista Líbero Badaró.

Ao falar sobre a data, jornalistas do Amazonas refletem sobre o rumo da profissão que, atualmente, além de estar sofrendo ataques de diversos setores da sociedade, ainda precisa lidar com a crise mundial gerada pelo Coronavírus (Covid-19).

Wilson Reis, vice-presidente Norte da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), explica que a data remete à luta pela liberdade de imprensa no Brasil. Surge a partir da morte do jornalista Líbero Badaró, em 1830, forte adversário na luta política contra a monarquia e, especialmente, ao imperador D. Pedro I. Mais do que um dia para comemorações, o 7 de abril serve para lembrar que o Estado Democrático de Direito em que vivemos é também uma conquista da imprensa brasileira, a partir da atuação de jornalistas brasileiros”.

JORNALISMO LIVRE

Reis defende o jornalismo livre e discute as dificuldades enfrentadas pela profissão nos últimos anos, como a criação da Medida Provisória (MP) 905/2019, que contava com um inciso que extinguia a necessidade de registro profissional para as profissões de jornalista, radialista, publicitário, entre outras.

“É preciso denunciar que os ataques contra o jornalismo livre, ético e de qualidade, são fruto do retrocesso do governo que assumiu a presidência em 1º de janeiro de 2019. Neste caso, o golpe pelo fim da obrigatoriedade do registro profissional aparece via Medida Provisória 905/2019, do executivo federal. O governo resolveu embutir na MP, batizada de projeto verde amarelo, um mecanismo para retirar uma conquista dos trabalhadores resguardada pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), a obrigatoriedade do registro profissional para o exercício legal da profissão”, afirma.

A crise mundial ocasionada pelo Covid-19, Wilson deixa claro que, em tempos de notícias falsas e de pandemia, mais ainda é preciso o jornalismo sério e de profissionais comprometidos com a verdade dos fatos. Maria José Braga, presidente da Fenaj, identifica a data como uma expressão do reconhecimento social da importância do Jornalismo e dos profissionais que o executam. “É um dia de homenagem e de alegrias, mesmo em tempos difíceis como o que estamos vivendo. É um dia de luta, em que a categoria deve refletir sobre sua atividade e relembrar dos direitos conquistados”, analisa.

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