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Trabalhadores da Gol foram proibidos de usar máscaras e luvas durante e depois da pandemia

A proibição ocorreu inclusive depois da decretação da pandemia, pela Organização Mundial de Saúde (OMS)

18/05/2023 às 12h35 Atualizada em 18/05/2023 às 13h00
Por: Renato Ilha Fonte: Aeroviária Patricia Gomes
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A falta de equipamentos de proteção também ocorre em outras companhias aéreas
A falta de equipamentos de proteção também ocorre em outras companhias aéreas

A chegada do novo coronavírus ao Brasil foi negligenciada por uma das maiores companhias aéreas da América do Sul: a Gol Linhas Aéreas Inteligentes, que ameaçou com punições administrativas os funcionários que utilizassem equipamentos de proteção durante a pandemia do novo coronavírus, persistiu com essa orientação mesmo após a revogação do Comitê de Coordenação Nacional para Enfrentamento da Pandemia da covid-19, em maio de 2022.

Maior companhia aérea doméstica do Brasil, a Gol anunciou, em março de 2023, números expressivos em relação ao mesmo período de 2022, com destaque o aumento da oferta total (ASK) 13,3%; 20,3% de crescimento no total de assentos, além da evolução de 20,7% no número de decolagens. A demanda total (RPK) da GOL aumentou em 17,2% e a taxa de ocupação foi de 82,3%.

No mercado doméstico, a oferta (ASK) da GOL aumentou 5,8% e a demanda (RPK) cresceu em 10,0%. A taxa de ocupação doméstica da GOL foi 82,8%. O volume de decolagens aumentou 17,4% e o total de assentos cresceu 17,1%. No mercado internacional, a oferta (ASK) foi de 351 milhões, a demanda (RPK) da GOL foi 273 milhões e a taxa de ocupação foi 77,9%.

Tal poderio da empresa no mercado aéreo não foi notado no quesito saúde e segurança no trabalho. Relatos de funcionários que vieram a público mostram a proibição pela empresa do uso de máscaras e luvas no ambiente de trabalho. Se o fizessem, seriam punidos administrativamente.

PROTEÇÃO PROIBIDA

A proibição ocorreu inclusive depois da decretação da pandemia, pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e foi mantida após o afastamento, por determinação médica, de funcionários suspeitos de estarem com a covid-19. Colegas que tiveram contato direto com as pessoas doentes não foram afastados e tampouco receberam autorização para usar máscaras e luvas, o que contraria todas as normas em vigor.

Patrícia Gomes, aeroviária há duas décadas e ativista do Trabalho, confirma a proibição imposta pela empresa e também as ameaças de punição. “Houve várias notificações de trabalhadores que estavam sendo punidos por usar luvas e máscaras nos aeroportos”, relata a sindicalista.

A postura da Gol foi mantida mesmo após da revogação do Decreto 10.659, de 2021, que instituiu o Comitê de Coordenação Nacional para Enfrentamento da Pandemia da covid-19, em 23 de maio de 2022, pelo O presidente Jair Bolsonaro. Ao todo, 23 decretos de combate à pandemia foram revogados e com eles a suspensão de mais de duas mil normas relacionadas ao assunto.

RISCO PARA TODOS

Álvaro Quintão, advogado do Sindicato Nacional dos Aeroviários (SNA), também confirmou o envio de ofício solicitando providências à empresa, nas áreas de saúde e segurança, sem que a empresa determinasse qualquer providência. Para ele, ocorre “descaso com a vida dos empregados”. Quintão informou que começaram a oferecer os equipamentos recentemente, mas de forma precária, sem alcançar a totalidade dos funcionários.

A falta de equipamentos de proteção ocorre também em outras companhias aéreas. As ameaças de punição, contudo, foram registradas na Gol. “As pessoas estavam sendo punidas por tentar proteger a si mesmas, aos colegas de trabalho e aos passageiros”, relata Patrícia Gomes.

Mesmo negando a ocorrência do problema e anunciando em nota que “a Companhia vem acompanhando de perto a distribuição adequada de luvas e máscaras. Importante informar que no dia 20 de março, como resultado do nosso esforço diário, novos lotes dos itens foram disponibilizados à tripulação”, a informação não foi confirmada pelo sindicato, que cobrava urgência na solução do problema, considerando a necessidade imperiosa de evitar a contaminação em larga escala.

Renato Ilha, jornalista (Fenaj 10.300), com informações do Jornal Brasil de Fato

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